

Sai Produtividade Lenta e entra Produtividade de Precisão na Vendas do Agro
Nos últimos meses, Cesar Franzon e eu mergulhamos profundamente no conceito de Produtividade Lenta aplicada ao processo de vendas no agronegócio. Para mim, sempre fez todo o sentido. A venda consultiva é, por essência, um trabalho de conhecimento. Ela exige leitura de cenário, capacidade de diagnóstico, interpretação de dados, compreensão do momento do produtor e, principalmente, tomada de decisão sob incerteza. Nada disso combina com pressa. Nada disso nasce da correria.
Ao longo desse período, escrevi diversos artigos, alguns publicados no Linkedin, analisando diferentes facetas da rotina de vendedores e gestores do agro. Falei sobre ritmo, sobre maturidade comercial, sobre construção de confiança, sobre decisões de alto impacto que não podem ser tratadas como simples transações. Sempre defendendo a mesma tese: vender bem no agro não é correr mais, é pensar melhor.
Recentemente, participando de uma mentoria focada em OPB (One Person Business), liderada pelo Elton Luiz, tive a oportunidade de apresentar esse projeto. O feedback foi direto, honesto e, acima de tudo, extremamente valioso. Todos foram unânimes em um ponto: para nós, latinos, a palavra “lenta” carrega uma carga emocional negativa. Remete a atraso, ineficiência, falta de energia. Mesmo que a tese seja sólida, mesmo que o conceito seja forte, a palavra gera fricção. Cria objeções antes mesmo da conversa começar. Aumenta o ciclo de decisão de quem poderia se beneficiar dos treinamentos e mentorias que Cesar Franzon e eu desenvolvemos.
Na hora, me veio uma lembrança muito clara da juventude.
Quando ainda era estudante do colégio agrícola, resolvi montar um apiário. Naquele mesmo ano, o grupo Boca Livre lançou um disco com uma música chamada Titicaca, em referência ao lago da Cordilheira dos Andes, na fronteira entre Peru e Bolívia. Encantado pela música, decidi que meu empreendimento se chamaria Apiário Titicaca. Fiz logomarca, desenhei rótulo, criei toda a identidade.
Empolgado, apresentei a ideia ao meu tio Zé Maria. Ele ouviu com calma e respondeu, sem rodeios:
“Como assim, Titicaca? Seu mel vai se chamar Titica… ou Caca?”
Desisti na hora.
Essa semana, senti exatamente a mesma sensação. A tese continua forte. O conceito continua correto. Mas o nome cria um ruído desnecessário. Um ruído que não ajuda, não soma e ainda atrapalha.
Depois de muito refletir, encontramos o nome que traduz exatamente a essência do que estamos construindo. Um nome sugerido pelo meu amigo Antonello, lá de Concórdia – SC: Produtividade de Precisão.
Ele carrega as mesmas bases conceituais da Produtividade Lenta, mas sem o peso emocional negativo da palavra “lenta”. Pelo contrário. Ele se conecta diretamente com aquilo que o agro já entende, respeita e valoriza: Agricultura de Precisão, Pecuária de Precisão, manejo de precisão, nutrição de precisão, genética de precisão.
É o trabalho feito com foco cirúrgico. Com método. Com critério. Com inteligência aplicada onde realmente importa.
Produtividade de Precisão é fazer menos do que não gera resultado para fazer melhor o que gera. É sair da correria improdutiva para entrar na execução consciente. É trocar volume por impacto. É substituir esforço cego por estratégia clara.
Por isso, oficialmente, sai de cena o conceito de Produtividade Lenta em Vendas no Agro e entra Produtividade de Precisão nas Vendas do Agro.
A essência continua a mesma. O método continua o mesmo. A filosofia continua a mesma. Mas agora com um nome que joga a favor, não contra.
E o slogan permanece. Porque ele nunca foi o problema. Pelo contrário, ele é a síntese de tudo isso:
“Desacelere, venda melhor, viva bem!”
Afinal, quem acelera demais, pode não conseguir fazer a curva.
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